Isabela Alves, 15. Confusa, complicada, jogada e revirada em seus próprios pensamentos. Sua mente à engana. Nada de encaixa. Nem mesmo a chave na fechadura. Ela quer ficar trancada, para sempre. Ninguém nunca a entendeu, não iria mudar agora. Cada dia que se passava, ela tentava mais e mais esquecer ele. Boas lembranças não vão embora, mas podem ser destruídas quando você descobre que nenhuma delas foi verdadeira. Ela queria esquecer, queria voltar ao seu cantinho apertado e voltar a ser como era antes. Seca, fria, sem coração. Queria não ter dado uma deixa, queria não ter o deixado entrar. Ela estava arrependida, por ter se apaixonado. Tudo era mais fácil quando o único amor que sentia era recíproco e por si mesma. Tudo funcionava. Tudo se encaixava. Agora, lá está ela, tentando abrir a porta, se prender outra vez em seu quarto escuro. Por ela, não haveria nem mesmo uma porta para mais alguém entrar. E esse era o problema. Ninguém mais iria entrar, e ela sabia. Porque seu coração já estava ocupado. Ele nunca havia ido embora, de vez. Ela queria esquecer, queria não sofrer com o fato de ainda amá-lo. Mas um lado dela, ainda o queria. Queria que se danasse o clichê “e ela voltou à amá-lo”. Ela queria um final feliz, afinal de contas.